Atlas People Like Us

A ATLAS tem como Missão intervir na comunidade, de modo a criar alavancas de Desenvolvimento Humano Integrado e Sustentável, através da promoção do voluntariado e da cooperação.

Vivemos todos, neste mundo, a bordo de um navio saído de um porto que desconhecemos para um porto que ignoramos; devemos ter uns para os outros, uma amabilidade de viagem.

Fernando Pessoa in Livro do Desassossego

Ao longo do processo de envelhecimento é comum os nossos mais velhos depararem-se com algumas dificuldades. Tarefas que eram realizadas com facilidade passam a ser mais complicadas, por exemplo a visão e mobilidade podem ser afetadas, aumentando o risco de queda, e frequentemente surgem problemas de saúde.

Envelhecer pode trazer alguns desafios e para ultrapassá-los ter uma rede de proximidade de familiares, amigos, vizinhos, voluntários e outros heróis (des)conhecidos faz a diferença!

Cuidar de uma pessoa é uma tarefa nobre e exigente, que muitas vezes desafia a conciliação pessoal e que traz também desafios aos próprios cuidadores. 

Por mais avanços tecnológicos que existam nada substitui a nossa “presença” mas o uso das tecnologias pode efetivamente ajudar, mesmo que à distância, sendo certo que um cuidador nunca pode ser substituído por máquinas/tecnologia.

Uma das grandes preocupações dos cuidadores são os vários períodos que os nossos mais velhos estão sozinhos. Frequentemente questionam-se se em caso de SOS ou de queda será possível auxiliá-los ou se conseguem voltar a casa quando já existem episódios de deambulação. Uma solução que permita a localização GPS e a comunicação permite por exemplo comunicar com o sénior sempre que necessário, manter o sénior “sempre acompanhado” e dar mais confiança, tranquilidade e qualidade de vida a ambos. Na ATLAS há essa solução porque cuidar é um desafio permanente, mas pode ser facilitado! [conheça as tecnologias de que a ATLAS dispõe, aqui]

Acredita que todos podemos fazer a diferença para um mundo melhor. 


Vanessa Baeta

Business developer na INTELLICARE. 



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Aproxima-se o Natal, momento de reencontro da família, do convívio, de gastronomia também e de alguns exageros nutricionais. Neste ano atípico, de confinamento, muitos de nós não irão viajar para os lugares habituais nesta quadra, o que, não retira a importância do momento ou a oportunidade de fazermos os mesmos almoços e jantares bem recheados de iguarias como o Bacalhau da Consoada, as Filhoses, o Arroz Doce, entre muitos outros.

É normal que ocorram alguns exageros alimentares e consequentemente nutricionais, levando a algum mau estar gástrico e o normal aumento de peso quando ingerimos muito mais calorias do que aquelas que necessitamos.

Deixo algumas  dicas para melhor passar esta quadra no que diz respeito à alimentação e nutrição: comece as refeições com uma sopa; inclua sempre verduras nas refeições principais; faça uma travessa de salada colorida e coloque sobre a mesa; faça uma salada de frutas frescas; beba muita água (um jarro bonito de água com ervas aromáticas no meio da mesa durante a refeição ajuda); faça caminhadas em família ou não descure a prática de exercício físico; não fique longas horas sentado à mesa ou no sofá; prefira os produtos locais e nacionais quando fizer as suas compras de Natal; na hora dos doces dê preferência aos frutos secos e não retire uma dose de todos, antes uma pequena colher; não exagere no consumo de álcool, faça cozinhados simples e prefira os produtos da época.

Bacalhau da Família

  1. Postas de bacalhau demolhado;
  2. Ervas e especiarias: sal, salsa, coentros, louro, tomilho, manjericão, sementes de coentros, pimenta preta, pimenta rosa, cravinho, noz moscada, canela hortelã, alho francês laminado finamente, fatias de presunto; 
  3. Couves de corte cortadas e prontas a cozer; 
  4. Batata e cenoura prontas a cozer; 
  5. Azeite ainda fresco do lagar, vinagre de vinho tinto; 
  6. Folhas de papel alumínio e cordel de cozinha ou mesmo ráfia; 
  7. Bloco de notas e caneta. 

Preparação: Comece por preparar todos os ingredientes e coloque sobre uma bancada na cozinha. Chame todos os seus convidados com uma hora de antecedência.

Lance o desafio: cada um escolhe um familiar ou amigo para quem vai temperar a posta de bacalhau com os ingredientes disponíveis e escrever uma mensagem. Depois, cada um tempera a posta de bacalhau do seu par dentro de uma folha de alumínio, fecha e coloca no entremeio da folha de alumínio uma mensagem para o seu par, ata com a guita de cozinha ou ráfia e coloca um sinal de forma a saber para quem é. Reserve o bacalhau. Aqueça a água para cozer as couves, a batata e a cenoura. Aqueça o forno a 190º. Coza as verduras e coloque o bacalhau num tabuleiro ou grelha do forno por cerca de 20 minutos. Leve tudo para a mesa de Natal, cada um retira o seu bacalhau e lê em voz alta a mensagem que lhe foi endereçada. Pode sempre substituir a batata comum por batata doce, ou a couve por nabiças ou grelos. Divirtam-se em família, que o Natal é alegria!

Bons cozinhados, e Feliz Natal!


Rui Lopes

Voluntário da ATLAS, nutricionista e Chef.



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Sou, desde há 7 anos, voluntária numa organização de solidariedade denominada Atlas. Há 4 anos fui convidada a coordenar um dos projectos desta associação – Velhos Amigos. É nesta qualidade que passo a enumerar sucintamente as linhas de atuação desta ONG na cidade onde vivo:

A ATLAS é uma organização não-governamental para o desenvolvimento, que tem como missão intervir em sectores-chave da sociedade, de modo a criar, junto das comunidades locais, alavancas de Desenvolvimento Humano Integrado e Sustentável, com efeito multiplicador continuado, em que as populações autóctones sejam as verdadeiras protagonistas da mudança.

Na Marinha Grande, a Atlas desenvolve, desde Julho de 2016, um projeto de Intervenção Cívica e de Desenvolvimento Local – o Projeto Velhos Amigos, que apoia idosos nas suas casas, em situação de carência e/ou isolamento. Um projeto de Voluntariado Profissional que leva refeições quentes, afetos e companhia a idosos da cidade, todos os fins-de-semana do ano.

São cerca de 100 voluntários/os comprometidos com este projecto, apoiando 22 beneficiários/as e envolvendo cerca de 23 restaurantes solidários. 

Na Marinha Grande, temos marcado presença nas Festas da Cidade assim como nas tendinhas de Natal, conseguindo dessa forma dar visibilidade à Associação, permitindo aos voluntários apresentar à população o Projecto Velhos Amigos e trazer novos amigos para a ATLAS.

Além do projeto de Intervenção Cívica e Desenvolvimento Local, a ATLAS desenvolve também nesta cidade, o Projeto Escolas Solidárias que presta apoio a crianças e famílias carenciadas através da doação de cabazes constituídos por produtos alimentares e de higiene. Também o número de cabazes tem vindo a aumentar significativamente. 

Neste tempo de pandemia, a Atlas, como tantas outras associações solidárias, tem-se desdobrado em apoios às famílias que atravessam provavelmente o tempo mais difícil das suas vidas.

 Durante o confinamento, numa conjugação de esforços, através da ajuda solicitada à Câmara Municipal da Marinha Grande, aos lares da Santa Casa da Misericórdia, Vergieiras e Outeirinhos à Associação Social Desportiva e Cultural de Casal Galego, a que se juntaram seis restaurantes solidários da nossa cidade, conseguimos assegurar o fornecimento das refeições aos nossos beneficiários.

Atualmente, na grave situação que o país continua a atravessar, não baixamos os braços e, assim, não privamos os nossos utentes desta nossa tão preciosa ajuda.

A solidariedade e o espírito de entreajuda foram, deste modo, postos ao serviço da comunidade.

A cada dia damos o nosso melhor, procurando honrar o princípio estruturante da Atlas: colocar a Pessoa no centro das políticas, acções e motivações.


Vice Presidente

Dora Birrento



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Intervir com a pessoa idosa exige pensar o Envelhecimento enquanto processo de declínio progressivo, complexo e multifatorial, que se traduz, essencialmente, em alterações biológicas, psicológicas e sociais.

Exige ainda considerar as alterações decorrentes do processo de Envelhecimento Cognitivo, muitas vezes subvalorizadas e que, na verdade, impactam significativamente a vida de muitos idosos.

O Envelhecimento Cognitivo traduz-se na diminuição e lentificação dos processos cognitivos, ou seja, qualquer procedimento utilizado para processar informações recebidas através dos sentidos, atribuir-lhes significado e transformá-las em conhecimento, tomando decisões em sua função. Estas alterações nos processos cognitivos podem comprometer o desempenho do idoso nas atividades da vida diária (tais como comer, vestir ou tomar banho) e condicionar a sua participação social.

A Estimulação Cognitiva assume-se como estratégia de manutenção e melhoria das capacidades cognitivas, podendo a sua implementação beneficiar o processo de Envelhecimento, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, com efeitos positivos na cognição, autonomia e redução da sintomatologia depressiva (Loewenstein, Acevedo & Czaja, 2004; Rue, 2010; Spector, Orrell, & Woods, 2010).

Os efeitos da Estimulação Cognitiva relacionam-se com o conceito de neuroplasticidade, capacidade que o cérebro tem de, perante alterações, criar novas ligações e aumentar os circuitos neuronais, enquanto resposta adaptativa, através da exposição a estímulos constantes e adequados (Bastos, Oliveira & Silva, 2017).

A orientação, atenção, linguagem, memória, funções executivas, cálculo, praxias (capacidade de realizar movimentos eficazes e coordenados) e gnosias (reconhecimento de estímulos recebidos através dos sentidos) são algumas das funções que podem ser estimuladas, através de atividades de papel e caneta, música, jogos, aplicações móveis, realidade virtual, entre outras.

É fundamental considerar a singularidade de cada pessoa, pelo que conhecer a história de vida e os interesses do idoso são aspetos relevantes ao programar uma sessão de Estimulação Cognitiva
(Nadai, Pinheiro & Melo, 2018).

O ambiente em que a sessão decorre deverá ser pensado e organizado, oferecendo temperatura, iluminação e quantidade de estímulos adequada. O grau de dificuldade das atividades apresentadas deverá ser desafiante e estimulante, graduado sempre que necessário.

Seja em contexto de voluntariado ou de intervenção cognitiva, o essencial é estar verdadeiramente presente e envolvido, lembrando as palavras da Madre Teresa de Calcutá “se não pudermos fazer grandes coisas, façamo-las pequenas, com muito amor”.

Referências Bibliográficas

Bastos, J., Oliveira, M., Silva, D., & Silva, J. (2017). Relação ambiente terapêutico e neuroplasticidade: uma revisão de literatura. Revista Interdisciplinar Ciências e Saúde, 4(1). Retrieved from https://revistas.ufpi.br/index.php/rics/article/view/4337

Loewenstein, D. A., Acevedo, A., Czaja, S. J., & Duara, R. (2004). Cognitive Rehabilitation of Mildly Impaired Alzheimer Disease Patients on Cholinesterase Inhibitors. The American Journal of Geriatric Psychiatry, 12(4), 395–402. https://doi.org/10.1097/00019442-200407000-00007

Nadai, M., Pinheiro, L., & Melo, D. (2018). Envelhecimento bem-sucedido e autoeficácia: Uma revisão da literatura. Revista Kairós : Gerontologia, 21(3), 403–422. https://doi.org/10.23925/2176-901X.2018v21i3p403-422

Rue, A. (2010). Healthy brain aging: role of cognitive reserve, cognitive stimulation, and cognitive exercises. Clinics in Geriatric Medicine, 26(1), 99–111
https://doi.org/10.1016/j.cger.2009.11.003 Spector, A., Orrell, M., & Woods, B. (2010).

Cognitive Stimulation Therapy (CST): effects on different areas of cognitive function for people with dementia. International Journal of Geriatric Psychiatry, 25(12), 1253–1258. https://doi.org/10.1002/gps.2464

Joana Sousa

Licenciada em Terapia Ocupacional, com formação complementar em Intervenção com a Pessoa Idosa e Cuidadores e em Estimulação Multisensorial na Demência. 



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Breve reflexão de uma voluntária

O nosso envelhecimento não depende somente da nossa herança genética, mas também do nosso nível de escolaridade, do(s) local(ais) onde vivemos e ainda do “género que nos coube em sorte”. 

Ser homem ou ser mulher significa ter papéis diferentes na sociedade, ser educado de forma desigual, ter oportunidades diferentes na vida. E significa também que o processo de envelhecimento no masculino e no feminino são vividos de formas diferentes.

Para identificarmos as disparidades entres homens e mulheres, de modo a nos abrir caminho a uma maior compreensão e consciencialização acerca da igualdade de género, a ATLAS promoveu o “Encontro ao Serão” dedicado ao tema “Questões de Género e o Envelhecimento”, no passado dia 10 de novembro, via ZOOM.

Foi oradora convidada a Professora Doutora Cristina Vieira, licenciada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e docente desta Faculdade desde 1992, sendo ainda Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres.

O apelo geral deixado pela preletora aos voluntários e amigos do ATLAS que participaram neste Encontro ao Serão foi o de que é necessário exercermos o nosso papel enquanto cidadãs e cidadãos, sendo neste sentido que foi elaborada a Estratégia Nacional da Educação para a Cidadania, tendo a Professora Cristina Vieira feito parte do grupo de trabalho.

“Educar os jovens para que possam ser livres nas escolhas que façam”, assim referido pela preletora, não é um desiderato menor da formação das crianças e jovens. Se no futuro queremos adultos e adultas com uma conduta cívica que privilegie a igualdade nas relações interpessoais, a integração da diferença, o respeito pelo outro, é na sala de aula que tem de ser ensinado isto. Neste sentido, apraz ao ATLAS regozijar-se com o seu papel que tem vindo a desenvolver com o MEXE-TE.

Não há nenhuma sociedade no mundo em que a igualdade de género seja completamente conseguida. E, por isso, necessitamos de continuar mobilizados para promover a igualdade de género, mais a mais, num mundo que envelhece. Isto mesmo é referido na Carta de Género e Envelhecimento adotada em 2014, uma iniciativa do Centro Internacional de Longevidade Brasil. Também, a nível europeu, o Instituto Europeu da Igualdade de Género trabalha para que a igualdade de tratamento entre homens e mulheres seja uma realidade do nosso quotidiano.

“Quando a igualdade de géneros é realmente aceite, as aptidões, experiências e recursos de mulheres e homens de todas as idades serão reconhecidos como um património intrínseco de uma sociedade plenamente coesa, enriquecedora, produtiva e sustentável”.

Urge promover a igualdade de género num mundo que envelhece.

Referências Bibliográficas

Carta de Género e Envelhecimento do Centro Internacional de Longevidade Brasil

Site do Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE)

Irene Primitivo

Farmacêutica Hospitalar, secretária da Direcção da ATLAS – People Like Us e voluntária no Projeto Velhos Amigos. Movida pelas causas sociais, é um membro ativo da sociedade que, através do associativismo, contribui para um mundo melhor.



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



No dia 15 de Outubro, a sede da Atlas, na Marinha Grande, acolheu um Encontro ao Serão dinamizado pela Dra. Joana Sousa, terapeuta ocupacional que desenvolve trabalho na área de gerontologia. A Dra. Joana Sousa informou e sensibilizou os participantes para a temática da Estimulação Cognitiva, que pode ser aplicada, por exemplo, à população idosa do Projeto Velhos Amigos.

Conceito de Estimulação Cognitiva

Referimo-nos a Estimulação Cognitiva quando induzimos a ativação de processos mentais responsáveis por apreender e processar informação do mundo que nos rodeia, tais como a perceção (informação captada pelos cinco sentidos), atenção, memória, pensamento e linguagem.

A Estimulação Cognitiva, enquanto técnica, aplica-se a indivíduos nos quais uma ou mais daquelas capacidades se encontra fragilizada, sendo necessária a sua reabilitação ou melhoria. Esta situação verifica-se como consequência de uma doença ou do envelhecimento natural (em indivíduos que já tinham a capacidade adquirida e ela vai perdendo funcionalidade, como acontece na população idosa); pode ainda acontecer em situações de atrasos no desenvolvimento, quando se trata de indivíduos nos quais a capacidade não chegou ao estado de maturação (como acontece em crianças cujo desenvolvimento de determinada capacidade está comprometido). Esta técnica pode ser utilizada, também, para manutenção das capacidades, como treino cognitivo.

Assim como fazemos atividade física para tonificar o tecido muscular, podemos realizar atividades para estimular a memória, a atenção, a linguagem ou outros processos mentais.

As atividades podem ser simples ou mais complexas, como exemplo:

  • estabelecer um diálogo empático, durante o qual conversamos acerca de episódios da história de vida do idoso e o levamos a recordar (“Como era o seu dia de trabalho na fábrica?”) ou reconhecer (“O jardim que está nesta fotografia é na nossa cidade?”) – estimulando a memória;
  • conversar acerca do seu quotidiano, aproveitando, por exemplo, a referência que o idoso faz relativamente às despesas que teve naquela semana e incentivar ao cálculo da soma das despesas – estimulando o pensamento;
  • se o idoso tiver visão e motricidade fina adequadas à atividade, sugerir uma tarefa de papel e lápis, como uma “sopa de letras” ou exercícios de correspondência (palavra e imagem) ou de análise de diferenças entre figuras, podendo também recorrer-se a equipamento tecnológico, como um tablet, usando aplicações para realização deste tipo de tarefas – estimulando atenção, pensamento, linguagem.

A tarefa terá um poder estimulante quando se apresenta como desafio, isto é, exigindo um nível de capacidade apenas um pouco acima do nível que o indivíduo detém (caso a exigência fosse de um nível muito acima, poderia resultar mais em frustração e menos em incentivo para perseverar no seu esforço e ir alcançando pequenas conquistas).

Podemos, então, ser “agentes” de estimulação cognitiva para com um idoso que visitamos como voluntários, para com um familiar (de qualquer faixa etária) ou até podemos dirigir esse estímulo a nós próprios, quando nos propomos realizar palavras cruzadas, ver um álbum antigo de fotografias ou dar atenção ao que os nossos sentidos rececionam (o som das folhas de outono que pisamos; as cores de uma maçã, o seu aroma e sabor).

Para um idoso com demência num estádio severo, vale a pena realizar estimulação cognitiva?

Esta foi uma questão que surgiu neste Encontro ao Serão e a resposta é: Claramente, vale a pena! Num ambiente estruturado, estabelecendo uma relação empática e quando está garantido que a nossa ação não é intrusiva, atendendo ao nível funcional do idoso (para definir o nível de desafio), haverá possibilidade de estimular alguns processos mentais. Num estádio de demência severa, no qual a memória é uma capacidade muito comprometida, poderemos, por exemplo, estimular a perceção ao ouvir o chilrear dos pássaros, dando significado a essa estimulação auditiva (“Daqui podemos ouvir os pássaros. Estamos na Primavera.”).


Autor: Sofia Carruço

Psicóloga e Voluntária no Projeto Velhos Amigos. Enquanto voluntária é um membro ativo na comunidade ATLAS, está sempre pronta para ajudar e tem sempre uma palavra amiga para os voluntários e Velhos Amigos.



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Encontro ao Serão

No dia 15 realizou-se nas instalações do Atlas na Marinha Grande, uma sessão de “Encontro ao Serão”. Foi oradora a Dra. Joana Sousa, formadora e terapeuta ocupacional, que fez uma apresentação subordinada ao tema “Treino Cognitivo no Processo de Envelhecimento” .

Encontros ao Serão, Marinha Grande, 15 outubro 2020

Neste encontro foram abordados os temas “Reconhecer as características do processo de Envelhecimento”, “Identificar o conceito de Cognição e de Neuroplasticidade”, “Reconhecer a importância da estimulação cognitiva na população idosa” e “Conhecer atividades e ferramentas de estimulação cognitiva”.

Especialmente interessante foi o desenvolvimento dado aos processos de envelhecimento, processos cognitivos e estimulação cognitiva, apresentados de forma muito clara e com exemplos de técnicas e práticas de como melhorar as competências e qualidade de vida na velhice. Foi verdadeiramente um serão de conhecimento e esperança!

A Sofia Carruço, voluntária da ATLAS, participou neste Encontro ao Serão e escreveu um artigo sobre Estimulação Cognitiva. Ler artigo completo aqui.


Autor: Rui Sérgio Bingre

Voluntário do Projeto Velhos Amigos e Voluntário Coordenador da nossa Newsletter. O Rui gosta de conhecer e partilhar histórias, vivências e conhecimentos. Contamos com ele, todos os meses, para nos informar sobre assuntos de interesse para a comunidade ATLAS.



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Quando queremos falar sobre o projeto Velhos Amigos vêm muitas ideias à nossa cabeça.

Começou em Coimbra, em 2009, com 2 equipas (4 idosos) e foi crescendo devagar, com muitas oscilações. Hoje, em Coimbra, tem 15 equipas e mobiliza muitos voluntários. Só é possível com a ajuda destas pessoas (voluntários) que saem de suas casas ou dos seus trabalhos para partilharem um pouco de tempo, com o outro. Só é possível, também, porque há restaurantes que, mesmo em tempos difíceis, doam generosamente uma ou mais refeições.

O projeto Velhos Amigos iniciou em Coimbra. Hoje o projeto abrange igualmente as cidades de Leiria, Pombal e Marinha Grande.

Não se esgota no levar a refeição!

Há o acompanhar às consultas, o fazer compras, o ajudar em pequenos consertos e até a passear o cão. Há o lembrar-se do aniversário, o levar um miminho, o telefonar a meio da semana. Há a certeza que o idoso tem alguém que vai atender o telefone quando for preciso.

O projeto Velhos Amigos leva refeições aos beneficiários e não só, é uma ação essencial no combate à solidão de vários idosos.

Este projeto não é essencial, mas…

Se o Projeto Velhos Amigos não existisse, a solidão seria mais triste e mais amarga para muitos idosos que vivem sós.

Já é clássico dizer-se que fazer voluntariado traz muita satisfação pessoal, que é mais gratificante para o voluntário do que para a pessoa que visitamos, e outras coisas parecidas. Mas é difícil descrever a alegria que se sente quando vemos, no outro, um sorriso nos lábios ou um olhar brilhante assim que entramos na sua casa. E não será a relação o mais importante da vida? E não será o serviço e o fazer feliz o outro que darão sentido à vida?

Estou grata por ser voluntária da Atlas desde o início. Estou grata por pertencer a esta família.

Agora, com mais responsabilidade na gestão da Atlas, quero ter a sabedoria de ser capaz de mobilizar mais pessoas para fazerem com que o voluntariado faça parte das suas vidas.

Bem hajam a todos!


Autor: Raquel Pina

Vice-Presidente da ATLAS – People Like Us, voluntária do Projeto Velhos Amigos desde 2009 e um apoio fundamental na coordenação do projeto em Coimbra. Na ATLAS tanto a conseguimos encontrar a organizar as faturas como a cozinhar para os Velhos Amigos, incansável!



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No dia 1 de Outubro, Dia Internacional do Idoso, realizou-se a abertura do novo espaço que pretende acomodar a logística inerente aos projetos da ATLAS, em Pombal.

O apreço que as pessoas têm pelo voluntariado, incentiva-as a praticar acções que ajudam a dar continuidade e fortalecimento ao próprio voluntariado.

Foi esse gesto de disponibilidade e generosidade que encontrámos nos nossos senhorios, que através de um Contrato de Comodato, cederam uma loja na Zona Histórica da cidade de Pombal à ATLAS, para aí instalar a nossa nova Delegação. Fica numa rua pouco movimentada, mas com possibilidade de circulação rodoviária e com boa acessibilidade.

Este novo espaço pretende acomodar a logística inerente aos projectos da ATLAS – Associação de Cooperação para o Desenvolvimento, nomeadamente o dos Velhos Amigos, implementado nesta cidade desde Maio de 2018.

Além disso e mais importante ainda, esta nova delegação vai possibilitar aos nossos Velhos Amigos usufruírem de um espaço onde podem encontrar uns momentos de entretimento já existentes no universo ATLAS (Coimbra, Leiria ou Marinha Grande) designadamente “Chá das 5”, “Jogos intergeracionais”, “Canto das Janeiras” ou simplesmente um pouco de atenção.

Os voluntários, de acordo com as suas disponibilidades e interesses, também, esperamos, possam sentir aquele espaço como seu. As Sessões de Integração para novos voluntários ou pequenas formações de boas práticas do exercício do voluntariado serão ali realizadas.

Também virado para a comunidade, podem ser realizadas actividades do universo ATLAS como workshops, “Encontros ao Serão” ou, para referir apenas um exemplo, servir de ponto de partida/chegada para um “Pedi Papper”.

Actualmente, e durante os próximos 3 anos, o Projecto Velhos Amigos terá também uma vertente tecnológica dada a aprovação da sua candidatura ao programa Portugal Inovação Social, sendo a Câmara Municipal de Pombal, um dos Investidores Sociais.

Nesta vertente tecnológica vamos disponibilizar botões de teleassistência e georreferenciação aos beneficiários, bem como Tablets para treino cognitivo, proporcionando a orientação necessária ao seu manuseamento, pelo menos uma vez por semana, neste espaço.

Foi com estes desafios em mente que os voluntários se empenharam a arranjar donativos e colaboração de várias empresas e pessoas, reunindo os meios necessários para fazer algumas obras de remodelação, adaptando e apetrechando o espaço para as actividades que aí pretendemos levar a cabo, tornando-o um local muito aprazível.

É também uma oportunidade para divulgação da Associação e dos seus vários projectos, e permitir uma maior mobilização da sociedade Civil em torno desta causa.


Autor: Ana Paula Cordeiro

Voluntária e Coordenadora do Projeto Velhos Amigos em Pombal. A Ana Paula dedica muito do seu tempo a coordenar as atividades da ATLAS em Pombal, a angariar voluntários, a acompanhar os beneficiários e a mimá-los sempre que pode. A delegação da ATLAS em Pombal é resultado em grande parte da sua entrega e entusiasmo a este projeto.



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Olhando para a biografia de homens e mulheres com êxito este mote “Aprender até morrer” é comum a todos. À exceção de alguns “meteoros fulgurantes”, como por exemplo Mozart, que morreu aos 35 anos, a maioria precisou de uma vida para consolidar a sua arte, a sua obra.

E outros, foi na idade mais sénior que tiveram o seu auge criativo. São estes que me inspiram esta reflexão.

Auge Criativo em qualquer idade!

Pasteur, aos 63 anos

Começo por Pasteur (França, 1822-1895), cientista, cujas descobertas tiveram enorme importância na história da química e da medicina, ficou conhecido por inventar um método para impedir que leite e vinho causem doenças, um processo que veio a ser chamado pasteurização. Esta descoberta ocorreu aos seus 40 anos, mas foi mais tarde, aos 63 anos, que ele descobriu a primeira vacina contra a raiva. Pasteur é um exemplo fulgurante do “Aprender até morrer”.

Victor Hugo, aos 68 anos

Victor Hugo (1802-1885), romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos, toda a vida escreveu mas foi aos 60 anos que ele publicou aquela que é considerada a sua obra prima: os Miseráveis. Aos 68 anos escrevia a todo o momento (tal como aos 15 anos); deixou os versos e enveredou pela prosa. Victor Hugo é um exemplo fulgurante do “Aprender até morrer”.

Beethoven, aos 57 anos

Ludwig van Beethoven ( Alemanha, 1770 – 1827), compositor, do período de transição entre o Classicismo e o Romantismo, desde muito cedo revelou talento excecional para a música. Aos dez anos, dominava todo o repertório de Johann Sebastian Bach, e compôs as suas primeiras peças aos onze anos de idade. É contudo de salientar que a sua genialidade se manifestou em idades mais tardias, pois foi nos derradeiros anos da sua vida que Beethoven compôs a Sinfonia nº 9 em Ré Menor, Op.125 (18221824), para muitos a sua obra-prima. Nos últimos dez anos da sua vida compôs mais de quarenta obras musicais. Ao morrer, aos 57 anos, estava a trabalhar numa nova sinfonia, e planeava escrever um Requiem. Beethoven é um exemplo fulgurante do “Aprender até morrer”.

Pasteur, Vitor Hugo, Beethoven e tantos outros “nunca deixaram de se interessar pela vida, aos 40,50 ou 60 anos de idade. Bem pelo contrário, o seu exemplo mostra que o “acréscimo de experiência e a tenacidade na ação provocam numa dada altura da “velhice”, uma espécie de mutação”. Todos eles aprenderam até morrer, sentiram-se motivados pelo que faziam e amaram, até ao fim.

Não há uma idade limite para o apogeu.” Depende do que se quiser alcançar”. Isto mesmo nos diz o psicólogo Harvey Lehman que publicou Age and Achievment – (livro não traduzido em Português) aquele que é considerado o estudo mais abrangente sobre a idade e as realizações pessoais. Igualmente, o psicólogo Dean Simonton, especialista em genialidade, afirma que o arco de uma carreira depende da disciplina escolhida e da precocidade com que a dominamos. “As diferenças individuais esbatem a importância da idade”,

Sabemos que a velhice acarreta incapacidades e dificuldades para levar uma vida independente, quanto mais criativa, mas exatamente por isso mais premente se torna mobilizar “as capacidades produtivas dos mais idosos como contributo à família e à comunidade”. A longevidade, está na ordem do dia, e por isso esta reflexão sobre as realizações pessoais (e geniais) em idades mais avançadas, leva-me a concluir que um dos motes para envelhecer bem é: “Aprender até morrer”.


Autor: Irene Primitivo

Farmacêutica Hospitalar, secretária da Direcção da ATLAS – People Like Us e voluntária no Projeto Velhos Amigos. Movida pelas causas sociais, é um membro ativo da sociedade que, através do associativismo, contribui para um mundo melhor. Na ATLAS, acreditamos, veio para ficar!



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