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Estimulação Cognitiva


No dia 15 de Outubro, a sede da Atlas, na Marinha Grande, acolheu um Encontro ao Serão dinamizado pela Dra. Joana Sousa, terapeuta ocupacional que desenvolve trabalho na área de gerontologia. A Dra. Joana Sousa informou e sensibilizou os participantes para a temática da Estimulação Cognitiva, que pode ser aplicada, por exemplo, à população idosa do Projeto Velhos Amigos.

Conceito de Estimulação Cognitiva

Referimo-nos a Estimulação Cognitiva quando induzimos a ativação de processos mentais responsáveis por apreender e processar informação do mundo que nos rodeia, tais como a perceção (informação captada pelos cinco sentidos), atenção, memória, pensamento e linguagem.

A Estimulação Cognitiva, enquanto técnica, aplica-se a indivíduos nos quais uma ou mais daquelas capacidades se encontra fragilizada, sendo necessária a sua reabilitação ou melhoria. Esta situação verifica-se como consequência de uma doença ou do envelhecimento natural (em indivíduos que já tinham a capacidade adquirida e ela vai perdendo funcionalidade, como acontece na população idosa); pode ainda acontecer em situações de atrasos no desenvolvimento, quando se trata de indivíduos nos quais a capacidade não chegou ao estado de maturação (como acontece em crianças cujo desenvolvimento de determinada capacidade está comprometido). Esta técnica pode ser utilizada, também, para manutenção das capacidades, como treino cognitivo.

Assim como fazemos atividade física para tonificar o tecido muscular, podemos realizar atividades para estimular a memória, a atenção, a linguagem ou outros processos mentais.

As atividades podem ser simples ou mais complexas, como exemplo:

  • estabelecer um diálogo empático, durante o qual conversamos acerca de episódios da história de vida do idoso e o levamos a recordar (“Como era o seu dia de trabalho na fábrica?”) ou reconhecer (“O jardim que está nesta fotografia é na nossa cidade?”) – estimulando a memória;
  • conversar acerca do seu quotidiano, aproveitando, por exemplo, a referência que o idoso faz relativamente às despesas que teve naquela semana e incentivar ao cálculo da soma das despesas – estimulando o pensamento;
  • se o idoso tiver visão e motricidade fina adequadas à atividade, sugerir uma tarefa de papel e lápis, como uma “sopa de letras” ou exercícios de correspondência (palavra e imagem) ou de análise de diferenças entre figuras, podendo também recorrer-se a equipamento tecnológico, como um tablet, usando aplicações para realização deste tipo de tarefas – estimulando atenção, pensamento, linguagem.

A tarefa terá um poder estimulante quando se apresenta como desafio, isto é, exigindo um nível de capacidade apenas um pouco acima do nível que o indivíduo detém (caso a exigência fosse de um nível muito acima, poderia resultar mais em frustração e menos em incentivo para perseverar no seu esforço e ir alcançando pequenas conquistas).

Podemos, então, ser “agentes” de estimulação cognitiva para com um idoso que visitamos como voluntários, para com um familiar (de qualquer faixa etária) ou até podemos dirigir esse estímulo a nós próprios, quando nos propomos realizar palavras cruzadas, ver um álbum antigo de fotografias ou dar atenção ao que os nossos sentidos rececionam (o som das folhas de outono que pisamos; as cores de uma maçã, o seu aroma e sabor).

Para um idoso com demência num estádio severo, vale a pena realizar estimulação cognitiva?

Esta foi uma questão que surgiu neste Encontro ao Serão e a resposta é: Claramente, vale a pena! Num ambiente estruturado, estabelecendo uma relação empática e quando está garantido que a nossa ação não é intrusiva, atendendo ao nível funcional do idoso (para definir o nível de desafio), haverá possibilidade de estimular alguns processos mentais. Num estádio de demência severa, no qual a memória é uma capacidade muito comprometida, poderemos, por exemplo, estimular a perceção ao ouvir o chilrear dos pássaros, dando significado a essa estimulação auditiva (“Daqui podemos ouvir os pássaros. Estamos na Primavera.”).


Autor: Sofia Carruço

Psicóloga e Voluntária no Projeto Velhos Amigos. Enquanto voluntária é um membro ativo na comunidade ATLAS, está sempre pronta para ajudar e tem sempre uma palavra amiga para os voluntários e Velhos Amigos.

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