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Aprender até morrer. Quem não quer?


Olhando para a biografia de homens e mulheres com êxito este mote “Aprender até morrer” é comum a todos. À exceção de alguns “meteoros fulgurantes”, como por exemplo Mozart, que morreu aos 35 anos, a maioria precisou de uma vida para consolidar a sua arte, a sua obra.

E outros, foi na idade mais sénior que tiveram o seu auge criativo. São estes que me inspiram esta reflexão.

Auge Criativo em qualquer idade!

Pasteur, aos 63 anos

Começo por Pasteur (França, 1822-1895), cientista, cujas descobertas tiveram enorme importância na história da química e da medicina, ficou conhecido por inventar um método para impedir que leite e vinho causem doenças, um processo que veio a ser chamado pasteurização. Esta descoberta ocorreu aos seus 40 anos, mas foi mais tarde, aos 63 anos, que ele descobriu a primeira vacina contra a raiva. Pasteur é um exemplo fulgurante do “Aprender até morrer”.

Victor Hugo, aos 68 anos

Victor Hugo (1802-1885), romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos, toda a vida escreveu mas foi aos 60 anos que ele publicou aquela que é considerada a sua obra prima: os Miseráveis. Aos 68 anos escrevia a todo o momento (tal como aos 15 anos); deixou os versos e enveredou pela prosa. Victor Hugo é um exemplo fulgurante do “Aprender até morrer”.

Beethoven, aos 57 anos

Ludwig van Beethoven ( Alemanha, 1770 – 1827), compositor, do período de transição entre o Classicismo e o Romantismo, desde muito cedo revelou talento excecional para a música. Aos dez anos, dominava todo o repertório de Johann Sebastian Bach, e compôs as suas primeiras peças aos onze anos de idade. É contudo de salientar que a sua genialidade se manifestou em idades mais tardias, pois foi nos derradeiros anos da sua vida que Beethoven compôs a Sinfonia nº 9 em Ré Menor, Op.125 (18221824), para muitos a sua obra-prima. Nos últimos dez anos da sua vida compôs mais de quarenta obras musicais. Ao morrer, aos 57 anos, estava a trabalhar numa nova sinfonia, e planeava escrever um Requiem. Beethoven é um exemplo fulgurante do “Aprender até morrer”.

Pasteur, Vitor Hugo, Beethoven e tantos outros “nunca deixaram de se interessar pela vida, aos 40,50 ou 60 anos de idade. Bem pelo contrário, o seu exemplo mostra que o “acréscimo de experiência e a tenacidade na ação provocam numa dada altura da “velhice”, uma espécie de mutação”. Todos eles aprenderam até morrer, sentiram-se motivados pelo que faziam e amaram, até ao fim.

Não há uma idade limite para o apogeu.” Depende do que se quiser alcançar”. Isto mesmo nos diz o psicólogo Harvey Lehman que publicou Age and Achievment – (livro não traduzido em Português) aquele que é considerado o estudo mais abrangente sobre a idade e as realizações pessoais. Igualmente, o psicólogo Dean Simonton, especialista em genialidade, afirma que o arco de uma carreira depende da disciplina escolhida e da precocidade com que a dominamos. “As diferenças individuais esbatem a importância da idade”,

Sabemos que a velhice acarreta incapacidades e dificuldades para levar uma vida independente, quanto mais criativa, mas exatamente por isso mais premente se torna mobilizar “as capacidades produtivas dos mais idosos como contributo à família e à comunidade”. A longevidade, está na ordem do dia, e por isso esta reflexão sobre as realizações pessoais (e geniais) em idades mais avançadas, leva-me a concluir que um dos motes para envelhecer bem é: “Aprender até morrer”.


Autor: Irene Primitivo

Farmacêutica Hospitalar, secretária da Direcção da ATLAS – People Like Us e voluntária no Projeto Velhos Amigos. Movida pelas causas sociais, é um membro ativo da sociedade que, através do associativismo, contribui para um mundo melhor. Na ATLAS, acreditamos, veio para ficar!

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